Enduro Enquestre 2017-05-30T00:56:25+00:00

O que é o Enduro Equestre?

Palavra de origem inglesa, o Enduro (Endurance) se traduz como competição longa em que a velocidade deve se adequar à resistência. Seus fundamentos são simples e a prática proporciona uma interação do homem com o cavalo e dos dois com a natureza.

A trilha impõe percursos que vão de 20 a 160 quilômetros. Atualmente, o Enduro é considerado o esporte equestre que mais cresce no mundo, marcando presença em 61 países e praticado por mais de 40 mil competidores.

Bases históricas do Enduro Equestre

As corridas a cavalo por longas distâncias fazem parte da história do homem desde que estes animais foram domesticados. O Enduro que conhecemos hoje é resultado de uma evolução já quase bicentenária e seu precursor foi o “Pony Express”, correio americano a cavalo que entre 1860 e 1861 atravessava o os Estados Unidos de leste a oeste, entre Saint Joseh, no Missouri, e Sacramento, na Califórnia. Criado por William Russell, William Waddell e Alexander Magors, o “Pony Express” estabelecia postos onde os cavalos eram trocados em trechos que variavam de 10 a 15 milhas, enquanto  os cavaleiros eram substituídos a cada 75 ou 100 milhas. Em 1883 o lendário Búffalo Bill criou um show que incluía uma prova de longa distância em homenagem ao “Pony Express”. Levado para a Europa, este show-competição acabou inspirando a criação das provas de resistência.

As categorias:

As competições de Enduro se dividem em duas modalidades: Velocidade Limitada e Velocidade Livre.

Velocidade Limitada

É a categoria onde se começa a prática do esporte. Os percursos vão de 20 a 40 km e a velocidade é determinada pelos organizadores da prova, podendo variar entre 8km/h à 12km/h.

As provas são divididas por etapas, também chamadas de anéis, que possuem diferentes quilometragens e trilhas.  No final de cada etapa o animal passa pelo “vet-check” o exame veterinário obrigatório , sendo aprovado, ele terá um tempo de descanso obrigatório e determinado pela organização e pós, poderá continuar sua prova.

O exame veterinário irá avaliar condições metabólicas e físicas do cavalo, ou seja desde o Batimento cardíaco, hidratação e assim por diante como a movimentação do mesmo em trote ou marcha.

A principal característica da prova de regularidade se dá no seu tempo de trilha, calculada em cima da velocidade média mais alta determinada pela organização, normalmente 12km/h. O conjunto precisa chegar dentro do tempo (horas e minuto) para que não perca pontos. Esse é o primeiro critério de avaliação desta prova.

O segundo critério é batimento cardíaco; quanto mais baixo, menos pontos são perdidos. Exatamente por isso, o cavaleiro possui entre 10 e 20min (varia conforme o determinado pela organização) para resfriar seu cavalo a apresentar ao exame veterinário.
O Vencedor da prova é resultado de duas variáveis; o tempo de prova, que precisa ser cravado em horas e minutos, pré-determinados antes do início + o batimento cardíaco do cavalo, quanto mais baixo, melhor o seu resultado.

Na Velocidade Limitada a mudança de categoria se caracteriza no aumento do percurso e velocidade.

Velocidade Livre

Nesta categoria a disputa é contra o relógio e as distâncias variam de 60 a 160 km.

Nessas provas, todos os conjuntos de cada categoria largam juntos e literalmente o que chegar primeiro ganha a prova. Porém não é fácil como parece, pois a cada anel, que variam entre 20 e 30km, o cavalo deverá passará pelo Vet-check e assim ter a garantia das condições do cavalo para continuar na competição

Para que o cavalo possa ser avaliado pelo veterinários o seu batimento cardíaco deverá estar abaixo de 64bpm, há algumas provas que esse limite pode variar, mas hoje no Brasil a maioria utiliza esse medida.

Ou seja, o tempo de prova do conjunto, que foi iniciado junto com todos os outros, só pára de correr no momento em que  ele atinge esses batimento, ou menos do que isso. Essa é uma das partes mais emocionantes da prova e que corre  cada fim de anel.

Após toda a avaliação veterinário e o cavalo sendo aprovado, há o descanso obrigatório, que em média são de 40 minutos. Após esse período, o conjunto volta às trilhas para dar continuidade a sua prova.

No fim, todos esperam uma disputa emocionante para o primeiro colocado, prezando sempre pelo seu animal e por tornar a prática desse esporte uma incrível oportunidade de estar em contato com a natureza e seu companheiro.

O Enduro no Brasil

Chegou de forma embrionária no início dos anos 80 com competições de 12 a 20 km que faziam parte das provas da Abhir – Associação Brasileira de Hipismo Rural. O incentivo e fomento da Associação Brasileira de Criadores do Cavalo Árabe (ABCCA) a estas provas foram fundamentais para a implantação do esporte no País.

A primeira prova “batizada” de Enduro Equestre no Brasil foi o  “Maristela Cup”, promovida por Homero Diacópulus, da Verdes Eventos, e realizada em 1989 em Tremembé (SP). Em 1990 o esporte foi oficializado pela Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) que no ano seguinte realizou o 1º Campeonato Brasileiro da modalidade. Paralelamente a estas iniciativas, três empresas escreveram seus nomes no esporte nas décadas de 80 e 90. A Verdes Eventos, de Homero Diacópulus, deu a largada e o modelo de suas provas era o francês; a Copercom, de  Adolpho de Souza Naves Jr e Malu Frisoni, se espelhava no modelo norte-americano, e a Malheiro & Malheiro, de Sebastião Malheiro Neto, responsável pela instituição do modelo “trail”, baseado em planilhas.

Desde as primeiras competições, o esporte foi pautado por desafios e o desejo de expansão. Sem distinção de sexo e praticado por crianças acima de 14 anos, o Enduro Equestre encontrou no Brasil condições favoráveis para seu desenvolvimento: variação de trilhas em todas as regiões do País, clima e volume de animais. Apesar de aberto a todas as raças, são os cavalos de sangue Árabe os maiores protagonistas do esporte.

Em 20 anos de oficialização (1990 a 2009), o Brasil participou das 7 edições do Campeonato Panamericano, contabilizando oito medalhas: quatro de ouro, duas de prata e duas de bronze. Os enduristas brasileiros marcaram presença em 7 dos 12 Campeonatos Mundiais Seniores (1990 a 2008), obtendo duas vezes a 4ª colocação (equipe e individual), um 6º lugar e três vezes 8º lugar por equipe. No Mundial de Young Riders o Brasil participou das cinco edições realizadas (2001 a 2009), contabilizando duas medalhas de bronze por equipe, de 4º, 5º e 7º lugares por equipe além de um Best Condition em 2003 no Mundial de Young Riders na Itália